Meus pais...,

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Hoje de manhã quando dirigia para o trabalho e escutava umas músicas de relaxamento, ainda me sentia tocada com a meditação guiada de ontem.

Essa meditação descobri no domingo através da comunidade do Escolha sua vida no facebook.
Foi a 1ª meditação que me senti algo realmente profundo em mim.
Ontem repeti e foi ainda mais forte. Faz parte do grupo Art of living...

Então, que no caminho, envolta em minhas reflexões e retrospectivas da minha infância, me percebi amorosa pela 1ª vez em relação aos meus pais.

Pela 1ª vez na vida reconheci de maneira despretensiosa e sem melodramas ou fazer média de filho que fala da boa para fora, mas não sente de verdade nada do que fala.

Talvez por isso foi a 1ª vez, pois minha mania de ser super sincera e verdadeira me impedia de dizer coisas que eu não sentia profundamente, pelo menos eu tentava né!, mesmo que fosse em relação aos meus pais. Não vou entrar na questão do (até porque não interessa no momento) motivo de ser a 1ª vez, nem sinto culpa por isso, pelo contrário, sinto que veio na hora que tinha que vim, na hora certa, no momento da minha vida em que me sinto mais preparada e aberta para receber do universo essa capacidade de aceitação do outro, de empatia verdadeira.

Sempre achei que meu pai foi um homem trabalhador e que nunca esteve muito presente em nossa educação. Nos momentos em que esteve presente seu papel flutuou entre o autoritário e o superprotetor, meio que alheio ao nosso dia a dia, sabendo de tudo pela nossa mãe. Ele era o provedor financeiro e que nos sustentava diretamente. Teve 2 famílias (fama de namorador) e em suas diversas histórias contava que já tinha feito de tudo um pouco. Estudou até o primário. Era inteligente, curioso, teimoso, inventor, mecânico de carro, mas consertava de tudo um pouco. Meu pai se foi aos 91 anos ainda lúcido, foi de repente, assim, sem se despedir, sem nos avisar com antecedência, de acordo com a vontade Deus.

Com relação a minha mãe pensei no quanto deve ter sido punk criar 3 meninas pequenas, aos 24 anos conhecer um viúvo de 54 com filhos e netos e, mesmo ela já tendo 2 filhos, engravidar 1 ano depois de estar junto com ele e, no ano seguinte engravidar de novo e, 2 anos depois engravidar de novo. Imaginando me deu um desespero. Depois de 9 anos da última veio a mais nova e, agora sim, a última, que hoje tem 24 anos e fiquei imaginando se minha irmã mais nova de 24 anos passasse por tudo isso que minha mãe passou a gente ia dizer que ela era irresponsável e que não tinha juízo.

Minha mãe sempre foi dona de casa. Arriscou alguns trabalhos em casa, como autônoma: foi cabelereira, vendedora de cosméticos; de folheado a ouro, de tortas e salgados, marmita, bijouteria. E a gente  ajudava também. Mas meu pai não apoiava. Era machista, ciumento. Não incentivava e desestimulava. Fora outras circunstâncias familiares, depois de um tempo ela desistia. Minha mãe tem boa mão para comida e faz tudo capricho, tudo é gostoso. Meu pai era exigente com comida e ela fazia tudo para agradá-lo. Minha mãe também estudou pouco, não exatamente até qual nível, mas hoje ela está estudando de novo, quer refazer sua vida, buscar novas possibilidades.

Nossos pais não eram de nos abraçar e dizer que nos amava. Não nos elogiavam espontaneamente. Muitos conselhos e lições vinham através dos sermões ou de alguma situação que puxasse o assunto.

Meu pai raramente nos bateu. Nossa mãe frequentemente. Os dois são a representação da força e da coragem de viver, de encarar a vida que vier do jeito deles, sem grandes visões otimistas, sem empreendedorismo, sem grandes filosofias e reflexões. Representam também valores importantíssimos para mim até hoje: honestidade; verdade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...