O
livro inteiro é muito bom, vale a pena ler. Eu não conhecia a autora, mas
conhecia o seu trabalho sem saber que era dela, olha que alienada. Todo
mundo conheceu o filme Divã e o seriado na Tv,
que eu assisti uma boa parte. Também ao ouvir: Doidas e Santas lembrei da peça de teatro que Cissa Guimarães
estava atuando, bem na época do falecimento do filho. Tudo começou com o Pudim,
é, o Pudim. Recebi um e-mail na empresa com esse texto. Gostei tanto que
postei aqui .
Gostei tanto que fui atrás da autora. Atrás da seguinte forma: cheguei numa
livraria e tinha um livro com o título sugestivo para meu momento naquela hora:
Felicidade por Nada e o nome Martha Medeiros bem acima, tudo de uma forma que
me chamou atenção, obviamente.
Um
aaahhhh! de surpresa levemente saiu pela minha boca. Eu fui ali tomar café com
uma amiga, conversar e olhar uns Dvd´s para Pedro. Saí de lá com café tomado,
dvd´s comprados e mais dois livros: o da Martha e Édipo de Juan David Nasio.
O
livro da Martha ainda ficou uns dias encostados, li primeiro o Édipo, pois
estava decidindo pela terapia psicanalítica e queria rever os conceitos que vi
na faculdade. Psicanálise sempre foi um mistério para mim. Tentei entender
várias vezes, mas me custa muito aceitar alguns conceitos. Bom, mas voltando ao
que interessa. Comecei a ler o livro da Martha e foi que nem aqueles casos que
a gente não quer largar. Daí comecei a levar para onde eu ia. A leitura, posso
dizer, é fácil, são crônicas do cotidiano. Do nosso, cotidiano! Ela traz
assuntos e reflexões novas para mim, referências nas artes, na literatura, na
vida, nas viagens e transforma em um texto envolvente. Por isso vou colocar o
trecho que tem mais a ver com os assuntos que debatemos por aí e por aqui,
achei a nossa cara.
Título: Mulheres na pressão
“Claro
que as mulheres podem tudo, está sacramentado. Mas será que devemos querer tudo? Onde foi parar nosso
critério de seleção? Já não sabemos distinguir o que é prioridade e o pode
ficar em segundo plano: tudo virou prioridade. E só uma mulher supersônica consegue
ter eficiência absoluta em todos os quesitos: melhor mãe, melhor amiga, melhor
filha, melhor namorada, melhor esposa, melhor profissional, melhor dona de casa
e melhor bunda. É morte por exaustão na certa.
Eu proponho, nesse dia internacional da mulher, que
a gente dê folga para nós mesmas. Vamos mudar de assunto. Que se pare de falar
de mulheres que conseguiram engravidar aos 57 anos, que perderam 30 quilos em
duas semanas, que beijaram 28 caras em duas noites de carnaval, que aprenderam
a ganhar dinheiro sem sair de casa, que visitaram 46 países nos últimos 10
anos, que sobreviveram a tragédias, que conseguiram dominar as melenas, que são
executivas completas, que possuem duas centenas de sapatos, que três semanas
depois de se separar já estão felizes nos braços de outro, que preparam um
risoto de funghi em 10 minutos, que têm disposição para rolar no chão com os
filhos, que assistiram a todos os filmes em cartaz, que aparentam ter 15 anos
menos, que exibem barriga de tanquinho um mês depois de parir, que lembram trechos
inteiros dos clássicos que leram na época da faculdade, que superaram traumas,
que arranjam tempo para fazer pilates, ioga, musculação e drenagem linfática.
Dá orgulho, eu sei, mas é competência e uma autopromoção que beira o irreal.
Estou com saudades de ler e ouvir sobre as
adoráveis qualidades dos homens. Eles merecem voltar a ser valorizados em seus
atributos. Isso ajudaria a reduzir nosso stress. Com menos holofotes em nossa
direção, deixaremos de nos cobrar tanto e recuperaremos um pouco da paz das
nossas avós. 8 de março de 2009”
Crédito: Martha Medeiros –
Felicidade por Nada – pág. 45 – 47.
E
aí gostaram? Aos poucos vou postando alguns outros que me chamaram a atenção
tanto quanto este e que mais do que isso, me ensinou algo, mudaram aqui dentro
mesmo. Poucos livros mexeram tanto comigo, acho que tem a ver com a identificação,
transferência enfim, lembram dos conceitos da psicanálise, pois é, estou
aprendendo e experimentando.
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