Maternidade Real

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sei que passou o dia, e muuuito, mas eu quero e preciso escrever agora sobre isso. Então vamos lá:
Minha gravidez foi planejada, embora até os 31 anos (hoje tou perto dos 34) eu dizer que não sabia se queria ser mãe e só pensava dessa forma no que eu ia perder: a liberdade, e no que ia ganhar: responsabilidade, preocupação, trabalho.
Fiz minha pós graduação, casei, trocamos de carro, estava conquistando uma estabilidade e credibilidade profissional, consolidando minha carreira em RH, adquirindo mais experiência e segurança.
Tive a crise dos 30 anos: mulher tem prazo de validade para ter filho! ai meu Deus o que fiz em 30 anos! Jesus, daqui a pouco chega os 40 !

Ter ou não ter filhos? Marido quer? Eu quero? E aí? Sim, vamos ter sim! Quando? Os hormônios pareciam estar borbulhando dentro de mim e eu me via grávida e com filho. Mas a minha imaginação não trazia junto as sensações da realidade, era indolor e tudo parecia muito simples e fofo, cut, cut.
Bom, engravidei planejadamente sem erro, de 1ª assim, todo mundo estranha, mas foi assim mesmo, não tive tempo nem de desistir, ou seja, não foram várias tentativas. Não foi preciso. E aí pensei: "É porque Deus queria mesmo!"
Tomei um susto, chorei, fiquei com medo. Várias reações. Até os 3 meses me mantive tranquila, nada de sair comprando a torto e a direito. Primeiro tinha que saber o sexo, saber se estava tudo bem, enfim. Bem prática né! Sempre considerei pouco romântica com relação a isso e para mim tudo parecia muito simples. Fiz todos os exames, ultras, me cerquei de todos os cuidados, até procurei academia para malhar, parei de tomar café, tentei diminuir o chocolate e controlar o peso, meu maior temor era ficar gorda. Comecei a ler tudo o que podia sobre gravidez, desenvolvimento na internet e tal.
Fiz chá de baby, não de fraldas descartáveis, pois eu queria escolher; Ah! fiz e book de gestante também.
Pensei que ia ter uma semana de descanso entre a saída do trabalho e a chegada do Pedro, mas eis que a bolsa esoutra no dia seguinte a minha despedida, exatamente no dia 1º de maio, Dia do Trabalhador. E todo mundo dizendo :"Ele vai ser trabalhador!" e outros diziam: "Ele vai dar trabalho!" sei, sei...
Tranquilamente fomos para maternidade, nada de escandâlos e nervosismos. Eu tinha tudo na minha cabeça:
-meu parto foi cesáreo por opção mesmo, não queria sentir dor e arrisquei acreditar nas minhas amigas que fizram cesáreo de que depois também não tem essas dores todas que o povo fala;
-eu ia seguir as orientações do livro sobre os horários das mamadas, TIRANDO A PARTE DE DEIXAR CHORANDO, NÃO ISSO EU NÃO IA FAZER DE JEITO NENHUM, NEM FIZ;
-eu ia colocar uma cinta logo e foi ótimo pq cirurgia doeu menos;
-eu ia deixar meu filho dormindo sozinho do quarto dele desde cedo, até hoje funciona assim e vivo dependente da babá eletrônica e cansada de seu chiado;
-eu queria fazer tudo o que pudesse: dar banho, trocar as fraldas, pegar para dar de mamar, não precisava ninguém fazer isso por mim (FIZ TUDO ISSO E ME ORGULHO); só queria alguém para limpar a casa, fazer a comida e lavar e passar as roupas;
-eu queria voltar ao meu corpo de antes da gravidez, AINDA NÃO =(;
-eu queria que meus seios ficassem firmes e como antes da gravidez NÃO FICARAM =(;
-eu ia dar só leite materno até o máximo que eu pudesse FIZ ISSO SIM;
-eu ia colocar na creche se não encontrasse alguém de confiança para ficar com ele quando eu voltasse a trabalhar NÃO PRECISOU E ADIEI PARA OS 2 ANOS SE DER TUDO CERTO;
-eu ia conseguir lidar muito tranquilamente com a volta ao trabalho, NÃO ESTÁ SENDO BEM ASSIM AGORA;
-eu ia fazer academia depois do expediente sem me sentir culpada, DEFINITIVAMENTE NÃO;
-eu não ia deixar assistir TV tão cedo CONSEGUI ATÉ UM CERTO PONTO;
-nada de doces nem salgados SIM, SIM E SIM;
-nada de exageros com compra de roupas, aniversários, tudo simples, mas de bom gosto sempre SIM TAMBÉM;
-eu queria usar fraldas de pano, mas dá muito trabalho POIS É.. FRALDAS DESCARTÁVEIS MESMO;
-não queria dar chupeta de jeito nenhum, mas depois me arrependi e depois tentei dar de novo e o menino não aceitava até que de repente do 6º mês ele aceitou! UFA!! Mas SÓ para dormir!! Yes!
-eu controlei as sonecas dele;
- eu anotava tudo da rotina até uns 3 meses até que joguei o caderno de lado, nem sei aonde tá mais;
- eu li o Encantadora de Bebês e gostei de algumas coisas;
- até os 3 meses eu me senti uma mãe querendo ser muito prática e perfeita, sem me envolver muito com meu filho, sem curtir a maternidade na sua essência, com seus sabores e desabores, com medo de errar! Aí chutei o pau da barraca e resolvi recuperar o tempo perdido;
- por volta do 6 meses as noites começaram a esticar mais e partir do 8º mês ele já dormia das 21h até as 6h;
- inseri novos alimentos gradualmente no 4º mês, mesmo contra a orientação da pediatra dele, que é extramente conservadora;
Pedro nasceu perfeito, com saúde perfeita, mamou muito bem, tive muito leite, minha cirurgia foi perfeita, minha recuperação também, tive apoio da famíli, do marido, alguém para ajudar nas atividades de casa, não teve muitas cólicas, as dores nas mamadas foram no 4º dia, em que eu dei o Nan uma vez de madrugadas e algumas vezes depois, o leite materno reinou lá em casa. Nesse período era um misto de peso na consciência com alívio nas dores nos seios.
O que Pedro teve de diferente foi um aumento exagerado de peso, nos primeiros 6 meses, o que preocupou a pediatra e nos cansava muito. Com 8 meses ele tinha 10 kg. Era grande na altura, mas mesmo assim estava acima da média. Ele fez 2 exames de sangue para saber se tinha algum problema. Mas era e ainda é, graças a Deus PERFEITAMENTO SAUDÁVEL.
Por isso, o ruim de ser mais pesado, era a nossa coluna gritar, depois de ninar para dormir a noite. Sim , ele é ninado até hoje, mas agora é deitado na rede depois que tomou o leite.
Meu filho come super bem até hoje, nunca teve gripes fortes, nem nada que o deixasse acamado por muitos dias. Graças a Deus. Reagiu bem as vacinas. Só agradeço por tudo isso.
Ele é esperto, inteligente, aprende com o que a gente faz na frente dele. É curioso, atento a tudo e a todos. Ainda não está andando sem se apoiar em algo ou em alguém. Balbucia algumas palavras. Ma-ma, pa-pa, fo -fo, deeee, deee...rsrsrsrsrs
Acorda super cedo, 5:30, 6h.. A mamãe aqui queria que ele esticasse até as 7h pelo menos!
E eu? Eu voltei a trabalhar faz 7 meses. No começo pareceu simples, eu falei com meu chefe que não queria viajar muito até ele ficar maiorzinho, e tudo bem, ele aceitou. Mas a mamãe aqui não era mais a mesma de antes da licença, nem de antes da gravidez. E diante disso ela vem refletindo muito sobre o que fazer e como fazer da melhor forma para conciliar a carreira, a vida de mãe e a vida de mulher.
Tem horas que ela pensa assim:
"deixa ele completar 2 ou 3 anos e aí você pensa em academia, em emagrecer, deixar isso para lá mulher, prioridade agora é seu filho, esse tempo vai passar e nao volta mais"
"faça o melhor o que puder no seu trabalho, tente as negociações e dedique a melhor qualidade que puder no tempo que estiver com seu filho, converse, brinque, oriente"
"busque outra coisa, tente algo que possa conciliar o tempo com mais flexibilidade"
"relaxa mulher e vai para casa agora curtir teu filho vai, já são 18:26 e ele te espera"
Sou a melhor mãe que posso ser para meu Pedro!

6 comentários:

  1. Muito legal o post! Muito verdadeiro!
    Bjs

    ResponderExcluir
  2. Com certeza Lu! Todas nós aprendemos muito com a maternidade. Erramos, acertamos, e vamos encontrando nossa forma de maternar!
    Sobre os selinhos que vc me perguntou, funciona assim: alguém manda pra vc. Quando a gente recebe, cada selinho tem suas regrinhas próprias e uma delas geralmente é indicar para outras pessoas. Nessas, se alguém indica seu blog, vc publica, seguindo as regrinhas estipuladas pelo selo e repassa. Faz tempo que não recebo nenhum, até notei que os selinhos deram uma sumida da blogosfera... mas quando receber te mando, pra estrear aqui!
    beijos!

    ResponderExcluir
  3. Oi de novo Lu! Vamos por partes:
    Sobre selinho, sim, vc só posta quando recebe de alguém. Normalmente as pessoas avisam quando dão selinhos para as outras. Então se alguém um dia te escrever um comentário do tipo "deixei um selinho pra vc", é só ir no blog da pessoa, copiar o selo, seguir as regras que estiverem estipuladas e publicar.
    Adorei a ideia do seu selinho! Achei lindo lindo! Vc pode criar as regrinhas que quiser, como enviar para x blogs que a pessoa escolher (e determinar um motivo, se quiser), responder a alguma pergunta, ou simplesmente não ter regra nenhuma, apenas presentear blogs amigos.
    Uma dica que te dou é visitar blogs por aí e ir se apresentando. Deixe um comentário nos blogs que vc gostar comentando o post e se apresentando, convidando as pessoas a virem aqui, e coloca um link pro seu blog. Isso vai te trazer mais amizades virtuais, mais trocas de ideias aqui no seu blog (e inclusive te ajudará a receber selinhos!).
    Sobre blogagem coletiva, qualquer um pode organizar, propor um tema. As que participei até hoje foram propostas por grandes blogueiras, com mais de 100 seguidores. Dessa forma a blogagem tem mais visualização e consequentemente mais adesões, o que contribui para maior troca de experiências. Quando se propõe uma blogagem, faz-se o convite e participa quem quiser, quem tiver algo a dizer sobre o assunto da blogagem.
    Ufa, acho que é isso! Estou adorando esse diálogo virtual! Se vc quiser, pode me escrever por email também, podemos falar mais! Meu email é sarahmoura@hotmail.com
    beijos!

    ResponderExcluir
  4. Oi Lu!!! Lindo post, verdadeiro, sincero, e acima de tudo, revela como a gente amadurece, aprende com a maternidade,né?

    Lu, vi que a Sarah já lhe explicou a questão dos selinhos (desculpa não ter lhe respondido antes,srsrsr!). Manda um e-mail para mim que lhe mando o do meu blog (a corujinha com o dizer "Sou mãe coruja"). O meu e-mail é ivana@luckesi.com.br.

    Quanto aos livros, estou lendo aqueles mesmos. Na verdade leio sempre à noite, quando as crianças dormem. Não assisto muito televisão, até os jornais (vejo as notícias pela internet). Prefiro mil vezes meus livros (cada dia leio um pouco de cada). Normalmente fico lendo dois ou três ao mesmo tempo, cada dia um. E claro, em dias que estou muito cansada, o livro cai da minha mão e eu desabo na cama! Às vezes também eu levo para consultas médicas, porque adianto a leitura quando os médicos se atrasam. Enfim, vou aproveitando o tempo que der!

    Bjos querida e se precisar de qualquer coisa, pode contar comigo, viu? Estamos aqui para nos ajudar mesmo!

    Beijão no Pedro!

    ResponderExcluir
  5. Flor, que post verdadeiro!

    A gente só sabe o que é ser mãe mesmo sentindo na pele as dores e as delícias!

    Parei com a neura de ser a mlehor em tudo pra Yasmin sabe, hj sou mais light e procuro ser a melhor mãe pra ela e não pra todas as crianças do mundo, e tô sendo muito feliz assim, amo me dedicar a minha filha, e acho que isso é ser mãe de verdade, ver o que é bom pro filho e seguir em frente.

    Beijooo

    ResponderExcluir
  6. Querida,
    Realmente tudo muito verdadeiro. Eu passei por tudo isso tambem, mas com um agravante inicial - um pouco de depressao pos parto que agora ja passou - gracas a Deus.
    Um bjao
    Ligia
    www.nanamamaenana.blogspot.com

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...